Alfacinha de gema Isabel Galriça, tal como muitas meninas em idade escolar, teve o sonho de ser bailarina. O facto de um médico ter sugerido a sua mãe que o "ballet" era uma boa actividade para uma criança com "energia a mais", fê-la matricular-se nas aulas de dança. Teve o primeiro contacto com a arte de Terpsicore aos oito anos, com a Profª Carlota Franco, no colégio que então frequentava. Com dez anos, ingressou no curso de dança do Conservatório Nacional, tendo realizado um percurso "normal" para uma futura profissional o que, no nosso País, ainda faz inveja a uma enorme quantidade jovens que, por falta de objectivas condições, chega à dança por "atalhos" e, quantas vezes, em idade pouco apropriada!

Durante a frequência do Conservatório concluiu, em 1990, o terceiro grau do curso da Royal Academy of Dancing (com a classificação de "honors") e frequentou, três anos depois, um curso de Verão nas instalações do velho edifício da Rua dos Caetanos com os mestres russos Svetlana Ossieva e Boris Bregvadze.
Em 1994, Isabel Galriça diplomou-se, tendo dançado num espectáculo de final de curso o papel de Lisa na "Filha Mal Guardada", numa remontagem do mestre Jorge Garcia. Além deste, foram seu professores Jorge Salavisa, Olga Roriz, Luisa Taveira, Ulrique Caldas, Carlos Caldas, Philip Betley, Barbara Fewster, Guilherme Dias, Benvindo Fonseca e Miguel Lyzarro. Ainda estudante trabalhou com coreógrafos como Francisco Camacho, César Moniz e Wilson Domingues. Nos verões seguintes, de 95 e 96, a jovem bailarina deslocou-se a Cannes (França) para complementar os seus estudos e apurar a sua técnica no conhecido Centro de Dança Internacional de Rosella Hightower.

Desde 1995 que faz parte do elenco da Companhia Nacional de Bailado, onde, de estagiária passou para o corpo de baile, dois anos depois, e a solista em 1998, categoria que detém actualmente. Nela tem vindo a dançar um repertório variado que se balança, essencialmente, entre obras de recorte contemporâneo ("Cantoluso", "Bach Moves", "Bom Tempo", "Dançares", "Present Tense" e "Savalliana"), peças de George Balanchine ("Agon" e "Apollo", em que dançou o papel da musa Terpsicore) e William Forsythe ("In The Middle Somewhat Elevated"), e bailados do repertório académico-clássico como "A Bela Adormecida" (Princesa Florina e Fada do Lilás) e "Coppélia". Fez parte, em 1998, do grupo de cinco bailarinos portugueses que se deslocaram a Bruxelas para participar na criação de "A Peça de Lisboa" (The Lisbon Piece) expressamente coreografada para a CNB por Anne Teresa de Keersmaeker. Quanto a projectos, apesar do futuro não estar a ser muito prometedor, Isabel afirma querer continuar por cá, continuar a dançar... e que a sua companhia tome outro rumo! "Não quero sair de Portugal, tenho cá os meus amigos e a minha vida, tenho que continuar a lutar".