Momentos divertidos e triviais

Apresentado como um espectáculo multimédia - com uma expressiva imagem de apresentação com os artistas pairando sobre os telhados de Lisboa - “Carpe Diem”, nasceu em 2006 e voltou, um ano depois, ao Teatro Camões, onde foi criado por Bruno Cochat… e  companhia.
O coreógrafo, que já nos deu bons momentos coreográficos (sobretudo com a ajuda de Filipa Francisco) e um bem-humorado e original “Quebra-Nozes”, no Centro Cultural de Belém no Natal de 99, propõe com esta peça uma “experiência inesquecível” através de um “espectáculo dinâmico e surpreendente” que “pretende reflectir e fazer reflectir sobre questões prioritárias para o público”.
Na prática, “Carpe Diem” (expressão latina que significa desfruta o presente) estrutura-se como uma manta de retalhos em que a dança, solta e agitada, recorre a bolas, fitas e elásticos, projecções e músicas conhecidas, cabos de aço e panos em que os bailarinos ensaiam algumas acrobacias básicas e muita mímica.
De um modo geral as ideias originais escasseiam e o espectáculo vai buscar coisas aqui e ali que outros intérpretes (que não pretendem ser “artistas totais”) fazem bastante melhor.  
Pena é que as competições de pastilhas elásticas e as brincadeiras com micro-ondas enfiados nas cabeças dos cinco bailarinos – no espectáculo participam também dois acrobatas – não cheguem a um registo mais burlesco, ficando muito aquém do que, pomposa e pretensiosamente, se promete.
O Teatro Camões, cuja programação é errática e inconsistente, tendo por protagonista a Companhia Nacional de Bailado para além de uns pequenos grupos portugueses e estrangeiros, tenta, assim, rentabilizar o filão da dança para crianças. Porém, totalmente dependente de dinheiros públicos, tem obrigação de fazer com mais critério e, sobretudo, muito melhor.