"Caixa de Brinquedos", de  Claude Debussy… vazia!

Numa iniciativa inédita, o Teatro Nacional de S. Carlos - que na presente temporada excluiu, por completo, a Companhia Nacional de Bailado da sua programação - deu lugar a duas coreógrafas "independentes" reunidas num curto ciclo de dança em dois fins-de-semana sucessivos.  
Se o trabalho de de Olga Roriz provou ter sido ser uma aposta positiva, já o mesmo não se pode dizer de “E Dançaram para Sempre”, de Clara Andermatt, que, no fim-de-semana de S. Martinho, levou até ao Chiado um público bastante jovem e desinibido.
A “Caixa de Brinquedos” de Debussy – muito bem interpretada ao vivo pelo pianista António Rosado – serviu de ponto de partida para um esboço de história infantil em que sete intérpretes (Avelino Chantre, David Almeida, Pedro Mendes, Marcelino Sambé, Joana Bergano, Marta Cerqueira e Carlota Carreira) pareceram perdidos e enredados numa cenografia de uma artista “da moda”: Joana Vasconcelos.

Uma enorme escultura móvel, com todas as cores possíveis e imagináveis, suspensa e tentacular, em “patchwork” com tecidos e crochets, impôs-se num certo universo “kitsch”, por vezes, tão caro à coreógrafa.
Pena foi que o que sobrou em música e colorido tivesse faltado em espessura dramática e teatralidade no movimento. Depois de longos minutos no solo os bailarinos – em que se incluíam um antigo elemento do Ballet Gulbenkian. Mendes, e um excelente aluno do Conservatório Nacional, Sambé – limitaram-se a preencher, durante quase uma hora, uma agenda ditada pela coreógrafa. Cabriolando pela cena em curtos jogos de sedução e frivolidade, fazendo caretas e rotinas de movimento desengonçado, ou enrolando-se no chão com as extremidades do imenso "mobile" ou com as muitas "cobras" de tecido que inundavam o palco, os intérpretes, sempre  bem dispostos, nada trouxeram de novo (e muito pouco de excitante) à partitura ou à história original. 


clara A 3