Estreado no Centro Cultural do Cartaxo, “Como é Bom Tocar-te”, um projecto de André Mesquita para o novo colectivo Tok’Art, apresentou-se, em Lisboa, no Cinema S. Jorge.

Apesar de não ser um espaço apropriado para se dançar, o público acorreu em força motivado pela centralidade do local, pela fome de bons espectáculos de dança ou apenas por uma pontual curiosidade. A verdade é que a conhecida sala de cinema quase encheu e, de um modo geral, o aplauso foi consensual perante a entrega e o investimento dos intérpretes.

Passado em grande parte na penumbra o quinteto, em tons de cinza, vive de uma luz crua e de um continuado sentimento de abandono. Dispersos por um espaço vazio, os bailarinos acabam por se encontrar, ao fim de mais de uma hora de dança, pulando de mãos dadas e veiculando o desconforto como uma espécie de forma de redenção.

 

como é bom tocar-te - TOK ART - 1

A selecção musical, toda com peças contemporâneas, criou nos artistas e nos espectadores uma ambiência, algo esdrúxula.  

O primeiro solo de César Fernandes é tocante na sua simplicidade e na gestão dos seus recursos físicos. O dueto com este bailarino e Teresa Alves da Silva - antiga bailarina do extinto Ballet Gulbenkian -, um elogio ao movimento cheio, intenso e desenvolto. Hugo Marmelada, uma jovem promessa no nosso panorama artístico, e Filipa Peraltinha, mostraram boa forma e um envolvimento notáveis.

O elenco, que se completou com Kelly Nakamura, apresentou-se com uma linguagem coreográfica marcadamente actual sem, no entanto, desinvestir do movimento como forma de expressão e exaltação física.

Os Tok’Art revelaram-se um boa surpresa e, seguramente, deveriam criar um espaço para si numa altura em que são mais os grupos a fechar do que a aparecer em Portugal!       

 

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