mariamendes2

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De acordo com os livros sagrados da Índia, toda a dança tem uma origem divina.
Parvati inventou a graciosa dança «lasya» e o seu esposo Shiva-Nâtarâja - o rei da dança - rivalizou com ela com o modo viril «tandava». O espectáculo encantou todos os deuses, os quais pediram a Brahma, o Criador, que revelasse alguns elementos deste conhecimento entre os homens.
Brahma ensinou-os ao sábio Bharata, que os codificou num tratado em sanskrito - o Nâtya-Shâstra, escrito há cerca de 2000 anos (refere-se, geralmente, que terá sido escrito entre o século II A. C. e o século II D. C.)
O sábio Bharata é, sem dúvida, um ser mítico.
O seu nome, segundo os historiadores modernos, será composto pela primeira sílaba das palavras «bhâva», «râga», e «tâla», que significam emoção, melodia e ritmo, as três qualidades essenciais da dança na Índia.
O Nâtya-Shâstra, considerado como o quinto Veda, é uma obra enciclopédica que reúne todos os conhecimentos relativos à dança, ao canto, à música, à poesia, à recitação e ao teatro.
As diferentes regiões da Índia desenvolveram o seu próprio estilo que, tempos depois, se tornaria “clássico”. O Bharata Natyam, no Sul, é um dos mais antigos. Tendo permanecido fiel às regras enunciadas no Nâtya-Shâstra, dividiu-se em vários ramos, saído um deles da célebre escola de Pandanallur (aldeia situada perto de Tanjore, Tamil Nadu).
Oriundo desta escola, o mestre Natyakalanidi Meenakshi Sundaram Pillai foi uma figura essencial na renovação desta dança nos anos 40. Era descendente dos quatro irmãos Tanjore (Quarteto Tanjore Brothers) que fixaram a forma do recital de Bharata Natyam tal como o podemos ver hoje, do Alaripu ao Tillana. Entre os seus discípulos é de referir Ram Gopal, que se destacou pela sua carreira internacional, bem como o casal U.S.Krishna Rao e Chandra Bhaga Devi, célebres pelos seus escritos e composições coreográficas.
Actualmente, os Mestres continuam a dar vida ao Bharata Natyam, criando coreografias e novos passos, de acordo com os cânones tradicionais.
Todas as danças são dedicadas a divindades representando cenas das suas vidas: os seus reveses, os combates com os demónios e as histórias glorificadoras dos seus devotos.

dança indiana - mudgal 06
 

As Devadasi (Servidoras da Divindade) interpretavam estas danças nos templos, numa sala que lhes estava consagrada. Tratava-se de uma oferenda ritual aos deuses. Elas transmitiam esta arte entre si, geralmente de mãe para filha. Actualmente já não se dança nos templos, mas o ensino de mestre para aluno continua a estar sob a protecção dos deuses.
O repertório musical é constituído por trechos de textos religiosos ou composições de grandes poetas, santos ou místicos. A bailarina é tradicionalmente acompanhada por uma orquestra composta por um mestre de dança, que marca ritmicamente os passos com pequenos címbalos e que recita as sílabas rítmicas, por um cantor, por um percussionista (mridangam), por um instrumentista de cordas (vina ou violino) e por um flautista.
O Bharata Natyam, hoje estudado e interpretado tanto por homens como por mulheres, com algumas variantes técnicas.
Este estilo de dança caracteriza-se por linhas simétricas e geometricamente perfeitas, voltas, saltos, deslocamentos por todo o espaço cénico e golpes com os pés que marcam ritmos bastante complexos. À técnica pura acrescenta-se o abhinaya, expressões da cara acompanhadas de gestos das mãos (hasta) e posturas do corpo (anga) para interpretar os poemas e os hinos cantados.

dança indiana - mudgal 11

Pode ler-se no tratado Abhinaya Darpanam, o «Espelho do Gesto», o seguinte:
Onde vai a mão, os olhos seguem-na. Onde vão os olhos, vai o espírito. Onde vai o espírito encontra-se o coração. E onde se encontra o coração está a realidade do ser.
A “realidade interior” é despertada, não só na bailarina, mas também nos espectadores.
Esta arte, que se confunde com o sagrado, restitui ao homem o sabor da sua origem. Tudo na dança da Índia remete para o significado, para o ensinamento profundo, juntamente com o prazer estético e a alegria que desperta.

Tarikavalli